O Sonho retomado, depois de mais um árduo dia de trabalho. Inacreditável como nos últimos dias tenho conseguido seguir sempre o mesmo sonho, noite após noite ele regressa cada vez mais pormenorizado, cada vez mais real. Não consigo porem distinguir as caras, os rostos, mas reconheço as vozes, as vozes de pessoas que há muito deixaram de fazer parte da minha vida mas ainda assim retenho no meu pensamento. Tenho saudades da minha vida, da minha família e dos meus amigos mas ao mesmo tempo sinto-me reconfortado pelo isolamento que o farol me trouxe, dá-me a calma e a paz que preciso, dá-me o conforto e força que me faziam falta e que hoje me completam.
Passo a noite a correr, a fugir não sei bem do que, neste sonho que nunca mais acaba e começa a deixar-me louco, é possível não sonhar? ou pelo menos parar por um momento?
Acordo cansado, vou à cozinha e preparo uma chávena de café, os anos passam e os vícios permanecem os mesmos, desde que me conheço o meu pequeno almoço é uma chávena de café e um cigarro à janela ou à varanda, ou nos últimos tempos, sentado no meu banco debaixo do alpendre com o oceano como pano de fundo.
A brisa do mar logo pela manhã, trás consigo a paz que preciso para enfrentar mais um dia, "hoje vou escrever mais um pouco!" Repito para mim mesmo, na esperança de me convencer que tenho de aproveitar este momento da minha vida para colocar no papel tudo aquilo que me alimenta a alma e me deixa ficar horas calado apenas a reflectir. Tenho a convicção de que escrever é melhor remédio do que q1ualquer psicólogo, psicanalista ou psiquiatra, ajuda-me a esteriorizar aquilo que me assusta, me revolta, aquilo que me transtorna e me transforma. Sentar-me em frente a um computador, em frente a uma folha de papel e escrever é a minha consulta, o meu tratamento a minha forma de desabafar e libertar os meus demónios.
São 3h da tarde, e o sol está quente, na sombra do alpendre fumo o meu cachimbo quando toca o meu telemóvel,
- Estou.
- Olá Como estás?
- Tudo bem, contigo?
- Tenho saudades tuas. Quando voltas?
- Não volto tão cedo, mas sabes que és bem vinda.
- Sabes que não podemos passar uma borracha no passado.
- Sei. Mas foste tu que ligaste.
- Ok, não consigo, desculpa. falamos outra altura.
- Não tem problema, falaremos depois. Um beijo
- Beijo
Mais uma pessoa que não aceitou bem a minha partida, que ficou magoada e ressentida com o meu abandono. Mas a realidade é que nesta aventura não estava, nem estou disposto a trazer ninguém comigo. Este espaço é só meu, embora ocasionalmente não me importe que me acompanhem.
Hoje sentei-me e escrevi durante horas, o meu pensamento deixou-se fluir pelos meus dedos, e consegui, talvez inspirado por aquela voz, soltar um pouco da mordaça que me andava a prender.
Só espero Conseguir dormir, sem sonhar...
sábado, 21 de maio de 2011
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Cap. II - A Reflexão
No Farol tenho tudo o que me faz falta, os meus livros, a minha música, o meu computador e claro a minha máquina de café. Sou um bicho de hábitos simples como costumo a dizer, mas nem sempre foi assim.
Estou sentado no meu sofá a ouvir Bonobo no leitor e a fumar o meu cachimbo e deixo-me perder naquela melodia, fico parado a pensar no passado e no que me levou aquele espaço. Nasci e cresci numa pequena cidade e desde pequeno sempre achei aquilo demasiado pequeno para a minha ambição, cresci a pensar todos os dias em mudar-me para a cidade grande, sempre que ia a Lisboa ficava fascinado com a confusão, a pressa das pessoas, a intensidade do dia a dia. Durante anos e anos só pensava naquilo, entrei na faculdade e foi como se me tivessem entregue uma carta de alforria, a minha liberdade finalmente, nas asas de uma média de 15. Jovem estudante de Gestão de Empresas, tinha o futuro mais do que planeado e nada nem ninguém me poderia parar... pelo menos era o que pensava na altura.
Enquanto estudante, "não" era palavra que não reconhecia, não dizia não a um evento social ou cultural, estava sempre mais do que pronto e encarava toda e qualquer oportunidade desta natureza para me mostrar, para me fazer notar, procurando um reconhecimento quase hollywoodesco, procurando sempre ser um estudante minimamente preocupado tendo em conta todas as "obrigações" sociais.
Mas como tudo tem um fim, o curso terminou e com ele a disponibilidade para muitas das aventuras. O mundo do trabalho ai à porta, e como sempre nada me desviaria do que estava planeado. Lancei-me sem medo, a minha ambição era o motor que me guiava de forma muitas vezes descontrolada naquilo que acreditava ser o melhor para mim, seguia sob o designio pré-estabelecido de um ideal de qualidade de vida.
Depois dos primeiros anos de completa e total euforia, vivi outros bastante atribulados, agastado pela agitação constante de uma cidade turbulenta, forçava sempre um pouco mais guiado pela pressão de um trabalho, até que um dia foi demais e num somatório de tudo decidi que a única maneira de me manter são e sereno era mudar radicalmente o meu caminho. Uns chamaram desmotivação, outros falam em desistência, e eu por mais que possa tentar contra-argumentar não consigo demonstrar a esses o quão importante foi esta decisão. Sim, realmente desmotivei-me naquilo que pensava ser o meu futuro, compreendo quem diz que desisti porque no fundo sei que desisti daquela ideia fixa que tinha, mas para mim o caminho que estava a percorrer deixou de ser claro... deixou de ser o meu Sonho... por isso a única decisão lógica na minha mente era parar, pensar e repensar o sentido, tirar um ano ou anos sabáticos de introspecção e outras vivências.
A vida em Lisboa foi fantástica tenho que o admitir, naqueles anos abracei por completo toda aquela confusão pela qual me sentia fascinado desde miudo e vivi ao máximo todas as experiências. Não me recusei a nada e se hoje posso dizer que estou no caminho certo em muito devo a esse tempo.
Naquele Outono, passava horas sentado naquele Sofá. Analisava o meu passado e tudo o que me levou aquele meu recanto. Os momentos marcantes, as histórias.
Dou por mim sem noção das horas. Já é noite, tenho de cumprir o meu dever profissional.
Estou sentado no meu sofá a ouvir Bonobo no leitor e a fumar o meu cachimbo e deixo-me perder naquela melodia, fico parado a pensar no passado e no que me levou aquele espaço. Nasci e cresci numa pequena cidade e desde pequeno sempre achei aquilo demasiado pequeno para a minha ambição, cresci a pensar todos os dias em mudar-me para a cidade grande, sempre que ia a Lisboa ficava fascinado com a confusão, a pressa das pessoas, a intensidade do dia a dia. Durante anos e anos só pensava naquilo, entrei na faculdade e foi como se me tivessem entregue uma carta de alforria, a minha liberdade finalmente, nas asas de uma média de 15. Jovem estudante de Gestão de Empresas, tinha o futuro mais do que planeado e nada nem ninguém me poderia parar... pelo menos era o que pensava na altura.
Enquanto estudante, "não" era palavra que não reconhecia, não dizia não a um evento social ou cultural, estava sempre mais do que pronto e encarava toda e qualquer oportunidade desta natureza para me mostrar, para me fazer notar, procurando um reconhecimento quase hollywoodesco, procurando sempre ser um estudante minimamente preocupado tendo em conta todas as "obrigações" sociais.
Mas como tudo tem um fim, o curso terminou e com ele a disponibilidade para muitas das aventuras. O mundo do trabalho ai à porta, e como sempre nada me desviaria do que estava planeado. Lancei-me sem medo, a minha ambição era o motor que me guiava de forma muitas vezes descontrolada naquilo que acreditava ser o melhor para mim, seguia sob o designio pré-estabelecido de um ideal de qualidade de vida.
Depois dos primeiros anos de completa e total euforia, vivi outros bastante atribulados, agastado pela agitação constante de uma cidade turbulenta, forçava sempre um pouco mais guiado pela pressão de um trabalho, até que um dia foi demais e num somatório de tudo decidi que a única maneira de me manter são e sereno era mudar radicalmente o meu caminho. Uns chamaram desmotivação, outros falam em desistência, e eu por mais que possa tentar contra-argumentar não consigo demonstrar a esses o quão importante foi esta decisão. Sim, realmente desmotivei-me naquilo que pensava ser o meu futuro, compreendo quem diz que desisti porque no fundo sei que desisti daquela ideia fixa que tinha, mas para mim o caminho que estava a percorrer deixou de ser claro... deixou de ser o meu Sonho... por isso a única decisão lógica na minha mente era parar, pensar e repensar o sentido, tirar um ano ou anos sabáticos de introspecção e outras vivências.
A vida em Lisboa foi fantástica tenho que o admitir, naqueles anos abracei por completo toda aquela confusão pela qual me sentia fascinado desde miudo e vivi ao máximo todas as experiências. Não me recusei a nada e se hoje posso dizer que estou no caminho certo em muito devo a esse tempo.
Naquele Outono, passava horas sentado naquele Sofá. Analisava o meu passado e tudo o que me levou aquele meu recanto. Os momentos marcantes, as histórias.
Dou por mim sem noção das horas. Já é noite, tenho de cumprir o meu dever profissional.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
I
"Turva a visão do acordar
A Neblina do amanhecer
O toque suave do vento
Gotas salgadas escorrem no rosto
Na Solidão da tua liberdade
Sorris sobre o tempo que passa
Sorris sobre aquilo que imaginas
Espaço de reflexão que exploras
Aquele lugar que escolhes como teu
Onde te deixas ser simples
Sem complexos
Sem assessório
Simples como um Banco
Frente a uma falésia
O som do mar revolto nas rochas
Aquela brisa
A sentir apenas
A sensibilidade da força bruta da natureza"
A meio da manha e ainda como o peso de uma noite de vigia nos olhos, está sentado no seu banco a beber café numa caneca já marcada com a idade. Enquanto aprecia a vista da falésia, organiza na sua agenda mental os afazeres do dia, tentando não esquecer nada.
A Vida solitária de um faroleiro que naquele espaço revive o passado, escreve sobre o presente pintando o seu imaginário nas palavras que definem o seu pensamento.
A Neblina do amanhecer
O toque suave do vento
Gotas salgadas escorrem no rosto
Na Solidão da tua liberdade
Sorris sobre o tempo que passa
Sorris sobre aquilo que imaginas
Espaço de reflexão que exploras
Aquele lugar que escolhes como teu
Onde te deixas ser simples
Sem complexos
Sem assessório
Simples como um Banco
Frente a uma falésia
O som do mar revolto nas rochas
Aquela brisa
A sentir apenas
A sensibilidade da força bruta da natureza"
A meio da manha e ainda como o peso de uma noite de vigia nos olhos, está sentado no seu banco a beber café numa caneca já marcada com a idade. Enquanto aprecia a vista da falésia, organiza na sua agenda mental os afazeres do dia, tentando não esquecer nada.
A Vida solitária de um faroleiro que naquele espaço revive o passado, escreve sobre o presente pintando o seu imaginário nas palavras que definem o seu pensamento.
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