sábado, 21 de maio de 2011

Cap. III

O Sonho retomado, depois de mais um árduo dia de trabalho. Inacreditável como nos últimos dias tenho conseguido seguir sempre o mesmo sonho, noite após noite ele regressa cada vez mais pormenorizado, cada vez mais real. Não consigo porem distinguir as caras, os rostos, mas reconheço as vozes, as vozes de pessoas que há muito deixaram de fazer parte da minha vida mas ainda assim retenho no meu pensamento. Tenho saudades da minha vida, da minha família e dos meus amigos mas ao mesmo tempo sinto-me reconfortado pelo isolamento que o farol me trouxe, dá-me a calma e a paz que preciso, dá-me o conforto e força que me faziam falta e que hoje me completam.

Passo a noite a correr, a fugir não sei bem do que, neste sonho que nunca mais acaba e começa a deixar-me louco, é possível não sonhar? ou pelo menos parar por um momento?

Acordo cansado, vou à cozinha e preparo uma chávena de café, os anos passam e os vícios permanecem os mesmos, desde que me conheço o meu pequeno almoço é uma chávena de café e um cigarro à janela ou à varanda, ou nos últimos tempos, sentado no meu banco debaixo do alpendre com o oceano como pano de fundo.

A brisa do mar logo pela manhã, trás consigo a paz que preciso para enfrentar mais um dia, "hoje vou escrever mais um pouco!" Repito para mim mesmo, na esperança de me convencer que tenho de aproveitar este momento da minha vida para colocar no papel tudo aquilo que me alimenta a alma e me deixa ficar horas calado apenas a reflectir. Tenho a convicção de que escrever é melhor remédio do que q1ualquer psicólogo, psicanalista ou psiquiatra, ajuda-me a esteriorizar aquilo que me assusta, me revolta, aquilo que me transtorna e me transforma. Sentar-me em frente a um computador, em frente a uma folha de papel e escrever é a minha consulta, o meu tratamento a minha forma de desabafar e libertar os meus demónios.

São 3h da tarde, e o sol está quente, na sombra do alpendre fumo o meu cachimbo quando toca o meu telemóvel,

- Estou.
- Olá Como estás?
- Tudo bem, contigo?
- Tenho saudades tuas. Quando voltas?
- Não volto tão cedo, mas sabes que és bem vinda.
- Sabes que não podemos passar uma borracha no passado.
- Sei. Mas foste tu que ligaste.
- Ok, não consigo, desculpa. falamos outra altura.
- Não tem problema, falaremos depois. Um beijo
- Beijo

Mais uma pessoa que não aceitou bem a minha partida, que ficou magoada e ressentida com o meu abandono. Mas a realidade é que nesta aventura não estava, nem estou disposto a trazer ninguém comigo. Este espaço é só meu, embora ocasionalmente não me importe que me acompanhem.

Hoje sentei-me e escrevi durante horas, o meu pensamento deixou-se fluir pelos meus dedos, e consegui, talvez inspirado por aquela voz, soltar um pouco da mordaça que me andava a prender.
Só espero Conseguir dormir, sem sonhar...

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